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    Cores

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    A ansiedade veste de bege
    A paixão vem de carmim
    O desejo de escarlate
    Atracção lê-se em marfim
    A desilusão é cinzenta
    De tons negros a angústia
    O desespero amarelo
    Castanha a melancolia
    No verde brilha a esperança
    O roxo mostra tristeza
    O bordeaux certa inconstância
    Há vivacidade no laranja
    O amor azul só usa
    A paz em branco caminha
    O sorriso é côr-de-rosa
    D' ouro e prata a alegria

    Púrpura, turqueza, cobalto...
    Miscelâneas de sentires
    Musicalidades percorrem
    Na sinfonia da vida
    Vivida
    A viver
    Na pauta
    Inacabada

    ...

    Palavras levadas no vento
    Em dias de calmaria
    Dementes, incongruentes
    Em brancas folhas pintadas
    Com raios de sol pinceladas
    Em mares d' azuis profundos

    O sol sobre si mesmo gira
    Na lua não há luar
    Os lagos se revolveram
    Os peixes emudeceram
    Fiquei eu
    Aqui

    Sem sonhar

    Regresso ao Infinito
    Onde deuses me apelam
    Do Hades sobrevivi
    De Cérbero ilesa escapei
    E parti

    Juno estendeu seu manto
    Mnemósine seu pó d'estrelas
    O doce e belo Orfeu eu vi
    E enlaçada em Morfeu
    Adormeci
    E segui
    Serenamente
    O azul da Noite

    ¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

     

    em frente.......

    Ontem...

    Entre ânsias e suspiros acordei
    entre voos de azuis brilhantes
    entre palavras não falantes
    que esperava,
    de sonhos, viagens expectantes.
    Silêncio, só ele me rodeava.

    As horas, na sua lentidão agonizante
    me olhavam espantadas
    e num sussuro diziam: Delirante!
    Aguardas o quê? O Nada?

    O desejar, a esperança, a ilusão!...
    Mas os sábios dizeres das horas
    me percorreram, dia afora
    em tensão
    transformadas em pérolas sonoras
    deslizantes. Me perguntava: E agora?!

    Olhei em volta. Só brumas vi
    Perdida de mim, tentei voar
    A névoa que se adensava, colori
    em vão... Deixa de sonhar!

    Conformada, sem convencimento,
    busquei rumos, leves indicações,
    dizeres perdidos no Tempo.
    Culpa minha, se não entendo?
    Não pode, não há confrontações!

    Trabalhei, dura, arduamente
    no abraço do esquecimento
    olvidando cada belo momento
    anulando ânsias e pesares
    pérolas brancas da Mente
    e segui, como sempre, em frente.

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    olhos

    Teus olhos belos, falantes
    perdição de tempos
    em ventos corridos
    em madrugadas dispersos
    seguindo montes e vales

    Espelhos de carícias de seda
    ternuras de anoiteceres
    enluarados de estrelas
    doce mel de mantos suaves
    alegria de sentires calmos
    fogosos, vivazes, curiosos

    Teus olhos que buscam
    penetram, enlevam
    incansáveis, sofredores
    perdidos em ausências
    encontradas...

    São traços
    são linhas
    são sombras
    que deslizam
    morosas
    sem tempo
    gravados
    em mim
    sorrindo...

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